Diário de uma blogueira da segunda idade

Gente, eu vi. E sobrevivi.

jun 30, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: Geral

Hoje minha filha chegou falando que na escola, uma professora deu uma lição em alguns alunos que faziam piadinhas e riam por conta da morte do Michael Jackson.

Ela, a professora, com muita razão, falou a eles sobre a importancia dele para a música, sobre o que ele produziu, enfim, a revolução que ele causou. Falou, inclusive, sobre as questões da justiça.

Daí que me toquei prá uma coisa. Quantas coisas aconteceram no mundo e eu acompanhei? Comecei a me lembrar e foi muita, mas muita coisa mesmo. Algumas de maior, outras de menor importância. Mas cheguei à brilhante conclusão de que a minha geração foi de fato muito privilegiada.

Quer exemplos? Bom, eu acompanhei Elvis Presley no auge, vi surgir Michael Jackson, Beatles, Rolling Stones, Roberto Carlos e muitos outros, na musica. Aliás, na musica como um todo, houve a revolução dos discos. Aqueles bolachões que a gente ouvia de um lado, levantava prá trocar o lado quase não existem mais. Aliás, o que veio atrás deles, os cd’s, me parecem que também já estão com os dias contados, não é?

Acompanhei o primeiro transplante de coração no mundo, feito pelo dr. Barnard. E no Brasil, feito pelo dr. Zerbini. Vi a primeira criança a nascer pelo método de fertilização artificial, o então chamado bebê de proveta, Louise, vi os avanços em outros transplantes, assim como vi o surgimento de doenças terríveis, como a Aids, e o aumento do número de pessoas com câncer.

Vi o surgimento da consciênca ecológica (embora com alguns exageros por parte de alguns), mas também vi aumentar a fome no mundo.

Vi o homem chegar à lua. E, sinceramente, não acredito nas teorias que dizem que o homem na lua teria sido uma montagem dos americanos.

Vi a tecnologia possibilitar que os telefones fossem diminuindo de tamanho e surgirem os celulares. E as máquinas fotográficas, então? Antes um trombolho, pareciam pedaços de paralelepípedo. Hoje pesam tanto quanto um controle remoto de televisão; esta aliás, que eu cheguei a assistir em preto e branco, e as transmissões não eram ao vivo. Eram em vídeo tape. Gravadas.

E vi, também, o surgimento disto que me permite estar aqui agora falando com vocês. O surgimento dos computadores pessoais e da internet, que possibilitaram as comunicações no mundo.

Quase que eu esqueço. Eu também vi a virada do  ano 1999 para o 2000.

Caramba, eu vi muita coisa, mesmo.

E sobrevivi.

Parem de dizer o que posso ou não dizer ou fazer

jun 22, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: euzinha

Droga. Não há palavra melhor prá começar este post de hoje.

Umas das coisas que mais prezo na vida é a liberdade. De expressão, de pensamento, de opções, seja lá do que for.

Tenho 53 anos. Passei por muitas e muito boas já. Será que já não aprendi um pouquinho?

Deixem-me errar, dar cabeçadas, falar no diminutivo, explicar as coisas do meu jeito. Alguém pede uma explicação? Eu a dou, do meu jeito, com tudo bem explicadinho, bem detalhado, como eu gostaria que fosse comigo.

Eu penso diferente de você? Tudo bem. É só não me ler mais, seja aqui, no orkut, no twitter ou seja lá onde for. Pronto. Não vou chorar por isso. Pare de ler, simplesmente.

Sou cafona, fora de moda? Mas a minha moda eu mesma a faço. A minha moda é a não moda. Uso o que eu gosto, o que me permite o conforto que eu prezo.

Quero colocar uma foto na Internet? Ah, mas ela não está boa? Não me interessa, quem quer ver, que veja.

Chega de me policiarem.

Não dou este direito a ninguém. Aliás, a ninguém, não. Eu tenho este direito. O que me diz respeito, eu decido.

E chega.

E o peixe estava uma delícia…

jun 15, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: postiça (post preguiça)

Só prá dar água na boca…

Neste dia, comprei uma tainha que veio nesta rede…

Assada na brasa…Delícia…

Saudade do meu tempo de criança…

acompanhei a puxada da rede

acompanhei a puxada da rede

Como é que a gente lembra?

mai 21, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: comportamento

Ontem minha filha mais nova completou 13 anos.

Meu Deus, como o tempo passou rápido.

E daí, percebi uma coisa. Quem já é mãe, com certeza haverá de concordar comigo.

O nascimento da minha filha estava previsto para 17 de junho, mais ou menos. Aliás, este é o dia do meu aniversário. Seria meu presente de 40 anos. Mas a garotinha resolveu dar o ar da graça antes. Quero dizer com isto, que não havia cesárea marcada, portanto o dia transcorria como outro dia qualquer. Não havia expectativa nenhuma com relação a nascimento, maternidade, nada.

Mas eis que por volta de 18 h, começou. E a filhota nasceu às 22:55 h. E aí, chego onde queria.

Por mais incrível que possa parecer, eu lembro de cada momento daquele dia. Uma segunda feira. E me toquei que assim como lembrava desta segunda feira, me lembrava também do sábado em que o menino nasceu e do domingo em que a mais velha veio ao mundo.

Nenhum dos partos foi programado. Muito pelo contrário. Todos foram no sistema surpresa total. O menino, mesmo, era previsto nascer em 7 de setembro (patriota) e resolveu dar as caras em 30 de julho. Pouquinha coisa antes.

A mais velha nasceu num tempo em que não havia ainda (pelo menos na cidade em que ela nasceu) um ultrassom. Portanto, tudo era na base do RX, e não era possível ficar fazendo RX direto. Seria muito prejuizo pro bebê. O jeito, neste caso, era esperar e torcer.

Portanto, todos os partos foram surpresa.

E aí eu pergunto: o que é isto que faz com que a gente lembre de todos os momentos de um dia que não tinha nada de especial até que a criança nascesse?

Não é de pensar? Porque se o bebê não tivesse nascido neste dia, será que a gente conseguiria lembrar do que se passou durante o dia todo?

Claro que isto tambem ocorre com outras situações, felizes ou infelizes, mas me flagrei disto ontem, e ontem era um dia muito feliz.

Que bom.

Menopausa, TPM ou Gravidez?

mai 12, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: saúde

Pessoas, mesmo eu sendo uma pessoa extremamente otimista, hoje tô péssima.

Há um ou dois meses atrás fui à ginecologista, e ela me falou que eu ainda não estava, fisicamente falando, mostrando sinais de uma menopausa iminente, que meu útero está bem em forma e estas coisas todas. Portanto, teóricamente, não devo estar passando por todos os incômodos da menopausa. Aliás, no meu outro blog já falei sobre isso.

Se é TPM, está durando muito,mais de mes, e tenho a impressão que isto não vai acabar nunca.

Mas, e se for gravidez? Eu, com 53 aninhos, e grávida? Por mim tudo bem, mas e o marido e os filhos, irão me aguentar? Porque sendo isso, se preparem, porque vou ficar muito, mas muito mesmo, manhosa.

E, ainda por cima, este telefone que não toca. Aliás, tocar, toca, mas não é a ligação que estou esperando. Importantíssima.

Já vi que meu dia vai ser longo, muito longo. Definitivamente, vai chegar amanhã, e o hoje ainda não terá acabado.

Dia caca.

Sabonete Maja

mai 11, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: euzinha

Ontem foi Dia das Mães. Embora pareça mentira, eu realmente não me ligo em presentes. Prefiro mil vezes ganhá-los sem dia definido. Nem com presente de aniversário me importo.

Aliás, na verdade, prefiro dar presentes. Acho muito mais prazeroso.

Presente de dia das mães, mesmo, eu só gostava quando meus filhos eram pequenos, quando eles faziam aquelas coisinhas na escola, cantavam aquelas musicas (sempre as mesmas, mas a gente sempre chorava), faziam uma apresentação simplesinha… Mas tudo era feito por eles. E isto foi o que sempre teve mais valor prá mim.

Mas ontem não teve jeito. Minha filha mais velha tasca um post no blog dela falando em mim. Pronto. Desabei. Chorei mesmo, ué. E na sexta meus filhos menores ganharam uma gincana na escola (me referi a ela num post no meu outro blog), o que foi um presente, porque muitas pessoas serão assistidas com os cobertores e alimentos que eles arrecadaram.

Mas uma coisa bateu mais forte, e mais forte de um jeito bem diferente. No post, minha filha fala na avó, e eu me lembrei da minha vó Zezé. Uma nordestina baixinha, braba, mas braba mesmo, matriarca no maior sentido que esta palavra pode ter.

Mas que me adorava. E que eu adorava na mesma medida.

Dentre mais de 50 netos, eu era um xodó entre as meninas. E ela demonstrava isto sempre.  Do jeitinho dela. Ela sempre participou da minha vida, sempre me apoiou, em muitos momentos, sendo a única que tinha coragem de fazer isto. Me apoiar sempre.

E ela gostava de usar um sabonete. Maja. Um sabonete extremamente perfumado. E quando acabava o sabonete, ela me ligava, avisava que precisava do sabonete, e lá ia eu procurar o bendito. Comprava e levava prá ela.

E o sabonete ficou como o nosso elo de ligação. Ainda sinto falta dela (mesmo ela tendo falecido há mais de 20 anos). Mas quando a saudade aperta mesmo, peço a minha filha que compre o sabonete da vó prá mim. E tomo um demorado banho com ele. E é como se sentisse a vó do meu lado, me abraçando, com aqueles braços pequeninhos. Mas que conseguiam me enlaçar toda.

O cheiro deste sabonete me lembra ela. E sempre me lembrará. Ele faz parte da minha vida.

1ª caixa que ganhei da minha filha

1ª caixa que ganhei da minha filha

A maquiagem da estrela

mai 5, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: comportamento

Ontem, através da minha filha Renata, conheci um blog legal. E o achei muito legal, mesmo. Até já coloquei nos favoritos. Tem posts muito bons.

Porém, ai, porém…

Li o post de ontem e confesso, no começo, fiquei triste pelas fotos postadas. Em princípio, achei um baita desrespeito. Não sei se, na verdade, a garota que o escreve teve ou tem próxima dela, uma pessoa de mais de 50 ou 60 anos. Ou pelo menos alguém que, com esta idade, gosta de se maquiar, é vaidosa.

Mas continuando na leitura, fui aos comentários. (adoro lê-los). E o último de então, de alguém que assina Cris, me foi particularmente tocante. Ela fala numa avó que gostava de se maquiar, e deu aos outros comentários a resposta que eu gostaria de ter dado.

É muito fácil ridicularizar pessoas que estão com uma maquiagem forte, over, diriam elas. O blush errado, muito forte, um batom além das medidas e a sobrancelha parecendo a de uma louca.

Primeiro, devo dizer que  própria autora do post pede que a avisem quando for mais velha, se ela estiver exagerando nalguma coisa. Isto é porque ela sabe que aos 88 anos, como é o caso da sra da foto, ela talvez não esteja enxergando bem, ou a moda da época vá ser outra. E se ela mesma admite que poderá errar, por que esta sra não tem este direito?

Eu tenho 53 anos. Sou da época de dancing days, de embalos de sábado à noite e hair. Naquela época, tudo era muito mais intenso, assim como, pesquisando a gente pode saber que, no tempo em que aquela senhora era novinha, as sobrancelhas eram absolutamente marcadas e os olhos excessivamente pretos. Porém, eram a moda da época.

Hoje, é tudo muito mais sutil (mesmo assim, a gente vê cada coisa no meio da rua), as informações correm a mil, temos a internet. Mas pessoas mais velhas às vezes demoram um pouco mais a se desligarem daqueles hábitos do passado. E há mais um detalhe. Todos falam, falam, mas ajudar que é bom, necas.

Eu mesma tenho procurado na internet, blogs que tenham posts ensinando maquiagem prá minha idade. O máximo que encontrei, sob o título “maquiagem para pálpebras caídas”, foram fotos ensinando como maquiar um olho japonês. Ora, o olho dos japoneses são dotados de uma pálpebra até caída, mas a pele é firme, clarinha. Mas a nossa não. A nossa, mesmo com todos os cremes à disposição, é, não apenas caída, mas também flácida.

Aí está a diferença. Não deu de adaptar, ou não consegui. (um aparte: não fale em plástica, nem todas temos dinheiro ou coragem ou condições físicas para fazê-la).

Eu gostaria que alguém nos olhasse com carinho. Que alguém nos ensinasse, como ensinam milhares de possibilidades de maquiagem para as mais novinhas. Eu queria que nos entendessem.

E não que simplesmente rissem de mim e dos meus erros.

Obrigada.

Colorindo o passado. Minha caixa de lápis de cor.

abr 30, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: euzinha

Quando eu estudava, lá bem longe no tempo, na minha época do primário e ginásio, que hoje se chama primeiro grau, as coisas eram meio difíceis lá em casa.

Oito filhos prá criar, meu pai doente, e minha mãe dando conta de tudo sozinha.

Eu sempre estudei em colégio particular. Mas não porque tivesse dinheiro, não. Era porque meu pai dava aulas (era o que elepodia fazer). Aí, parte do pagamento era em bolsas para os filhos.

Dá de imaginar que não era muito fácil quando a gente precisava de material escolar, né? Nós sempre tinhamos tudo certinho, mas sempre na medida do estritamente necessário.

Não me importei nem um pouco com as coisas sempre contadas, acho até que isto me ajudou a dar valor a cada coisa conquistada.

Mas havia uma coisa que me deixava diferente, digamos assim.

Os lápis de cor. Mais específicamente, uma cor de lápis.

Um verde água, meio azul, sei lá.

Minhas colegas sempre me emprestavam, mas eu desejava ter um lápis só prá mim. Eu sabia que naquele momento seria impossível. Mas guardei o desejo, bem lá no fundinho do coração.

Depois vieram meus filhos.

Um a um tendo os materiais apropriados, e, quando possível, conforme desejassem, desde que sem exageros.

E eu mantinha meu desejo de criança latente. Esperando. Mansinho.

Até o dia em que abri minha loja. Uma papelaria. Pequeninha no começo, mas que, com bastante trabalho, já passou pelo período mais difícil, segundo as estatísticas.

Na minha primeira compra prá loja, caixas de lápis de cor. E, dentre elas, a minha. Aquela que seria única e exclusivamente minha. Com um lápis inteirinho meu.

Após abrir a a caixa com o material comprado, conferido e arrumado nas estantes, o momento chegou.

Eu tremia quando peguei aquela que seria a realização de um desejo.

A minha caixa de lápis de cor, com o meu muito sonhado lápis verde água, ou azul.

Até hoje mantenho a caixa inteirinha. Ninguém mexe nela.

Mas muitas vezes me pego abrindo-a, e riscando pequenos pedaços de papel com aquele meu lápis.

Os lápis das outras cores estão lá. Mas não mexo neles, somente no meu verdinho, ou azulzinho. E depois ele volta prá caixa, que ainda está parecendo nova, depois de tanto tempo.

É meu desejo realizado. Um desejo que permaneceu sem mágoas pela não realização na infância, mas que ficou lá, quietinho.

E agora, realizado.

o desejo

o desejo

Desejem sempre. E acreditem que um dia, tudo pode se realizar, mais cedo ou mais tarde.

Meu sonho demorou quase 40 anos prá se realizar. Mas agora existe. Tá aqui comigo, na minha gavetinha.

Bem do meu lado.

Sempre.

Dia da sogra. Aê. Viva eu.

abr 28, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: euzinha

Hoje é mais um dia daqueles.

Mais um dia só meu.  Só meu aqui em casa, bem entendido.

Dia da sogra. Eu tenho um genro. Dia MEU.

Daqui a pouco, tem o dia das mães. Tenho tres filhos. Dia MEU.

Depois, dia dos namorados. Tenho um marido. Dia meio MEU. (meio meu, mas pelo menos, é).

Dia da vovó. Tenho uma neta postiça. Dia MEU.

Aniversário de casamento. Dia meio MEU.

Viva eu, viva eu.

Tenho um monte de dia MEU.

Medo de fotos?

abr 27, 2009 Autor: Beth Pinheiro | Categoria: comportamento

Eu não sei porque. Mas vivo tendo inspirações e pensamentos “mágicos” durante o banho.

Talvez por ser um momento meu, bem meu, (já falei que meu presente predileto é um bom sabonete? Um sabonete bom; não caro, necessariamente)é durante o banho que me inspiro.

Eu literalmente voo.

Hoje eu estava pensando. Por que esta minha verdadeira paranóia em ser fotografada?

Até alguns anos atrás, poucos anos atrás, se eu batesse a cassuleta, fosse prá terra dos pés juntos, vestisse um paletó de pijama, meus entes queridos quase não teriam lembranças minhas por fotos.

Quando percebi isso, passei a aceitar algumas fotografias, mas bem poucas, e em situações em que eu estivesse bem à vontade.

Mas hoje, procurando uma foto prá colocar no orkut e no twitter, me vi sem nenhuma que eu gostasse, e aí percebi.

O negócio é o meu excesso de auto crítica.

Sempre acho que não fiquei bem.

Sabe, o meu braço? Pura pelanca. A pálpebra? Desabada, literalmente. A barriga? Parece gravidez, e de gêmeos. O cabelo? Ralinho, ralinho.

Mas peraí.

E a felicidade que eu estava sentindo naquele momento? Onde fica? Quero dizer, a essência da foto era o momento, a vida que eu vivia naquele instante. Que passaria em branco, não fosse uma foto. Prá lembrar depois. E prá rir, com certeza. De mim, claro.

Agora vou deixar que me fotografem mais.

Pode ser meio difícil no começo. Mas vou conseguir.

Ah, as fotos prá internet?

É, bem, fiz caquinha. Sei lá o que fiz. Eram duas, as que eu gostava, e elas sumiram, simplesmente sumiram, e eu não apertei nenhum delete.

Se a Nina encontrar, eu coloco aqui, e vocês vão ver.

E podem até comentar. Não vou ficar braba, não.

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